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Culpa Materna: Como Transformá-la em Responsabilidade Afetiva

5 de Janeiro, 20267 min de leitura

A culpa materna raramente deriva de um erro real ou de uma falha concreta. Na maioria das vezes, ela é fruto da distância entre a mãe real, com suas limitações, cansaço e ambivalência, e a mãe idealizada, uma figura mítica onipotente e inesgotável.

A culpa paralisa, aponta para trás, busca culpados. A responsabilidade afetiva é prospectiva: reconhece o impacto emocional que temos sobre o outro e nos convoca a escolher como habitamos a relação.

Responsabilidade afetiva implica em reconhecer: 'meu estado emocional afeta meu filho'. Não para culpar-se, mas para escolher. Implica em saber que, quando grito movida por uma frustração que não tem a ver com a criança, estou transmitindo algo que não lhe pertence — e que posso, depois, reparar.

O conceito de reparação, de Melanie Klein, é vital aqui. A reparação é o movimento psíquico que surge a partir do reconhecimento de que ferimos (real ou fantasmaticamente) o objeto amado. É esse reconhecimento que permite o gesto de consertar, de reafirmar o vínculo.

Esse 'círculo benigno' de machucar e consertar, repetido inúmeras vezes, é profundamente estruturante para a criança. Ele ensina que o amor é mais forte que o ódio, que os relacionamentos podem sobreviver a conflitos e que a reparação é sempre possível.

Algumas reflexões práticas:

1. Quando sentir culpa, pergunte-se: 'De onde vem essa exigência? É minha ou foi herdada?'

2. Substitua 'eu deveria' por 'eu escolho'.

3. Pratique a auto-compaixão: você não precisa ser perfeita para ser suficientemente boa.

4. Quando errar, repare: peça desculpas, reconheça o impacto, reafirme o amor.

Você não vai se tornar a mãe perfeita. Você vai se tornar a mãe que pode ser — consciente, presente e livre para escolher o que transmite.

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Dê o próximo passo: descubra qual padrão emocional pode estar operando na sua maternidade.

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