A linguagem materna é a primeira inscrição simbólica na criança. É pela palavra que o bebê passa da condição de organismo biológico para a de sujeito desejante.
Quando a mãe diz 'você está bravo', ela não apenas descreve — ela oferece ao filho a possibilidade de reconhecer, nomear e, futuramente, regular o que antes era apenas uma tempestade de sensações corporais.
Quando a mãe se cala diante da própria angústia, ela transmite que certos afetos não têm lugar no mundo simbólico. A criança aprende, assim, a reprimir, a silenciar, a carregar aquilo que não pôde ser dito.
Este é o poder da nomeação. Nomear uma emoção ajuda o cérebro da criança a organizar o que, até então, era uma tempestade de sensações corporais e impulsos difusos. A palavra dá contorno, significado e legitimidade à experiência interna.
Esse processo é a base da alfabetização emocional. Assim como aprender a ler e a escrever abre as portas para o mundo do conhecimento, aprender a linguagem das emoções abre as portas para o autoconhecimento e para a empatia.
Algumas práticas que você pode começar hoje:
1. Nomeie as emoções que você observa: 'Você parece triste porque seu amigo foi embora.'
2. Valide antes de corrigir: 'Eu entendo que você está frustrado. É difícil quando as coisas não saem como queremos.'
3. Modele a vulnerabilidade: 'A mamãe também fica cansada às vezes. E tudo bem sentir isso.'
A nomeação transforma o caos em algo compreensível e, portanto, manejável.