Tem um momento que toda mãe conhece. É quando você se ouve dizendo exatamente aquilo que jurou que nunca diria. Ou gritando do jeito que sua mãe gritava. Ou silenciando quando seu filho mais precisa que você fale.
E você pensa: 'Como eu cheguei aqui?'
A psicanálise nos ensina que nós não repetimos por falha. Repetimos porque existe algo em nós — algo que não foi dito, não foi sentido, não foi elaborado — que insiste em retornar.
São padrões que vêm de longe. Da sua mãe. Da mãe dela. Histórias que ninguém contou, emoções que ninguém nomeou, feridas que ninguém cuidou.
A transmissão geracional pode ser de dois tipos:
A transmissão intergeracional é a passagem de experiências elaboradas — valores, crenças, identificações, narrativas que foram metabolizadas pelas gerações anteriores. Este processo é positivo e necessário. Ele oferece ao filho um lugar simbólico na linhagem.
Já a transmissão transgeracional ocorre quando material psíquico que não pôde ser simbolizado, elaborado ou representado por uma geração é passado em seu estado 'cru' para as gerações seguintes. O filho se torna depositário de uma história que não lhe pertence.
Mas aqui está a boa notícia: quando você consegue reconhecer de onde vem o que você repete, algo muda. Você para de agir no automático. Para de se culpar. E começa a escolher.
Escolher o que você quer transmitir. Escolher nomear em vez de silenciar. Escolher reparar em vez de repetir.
Isso não é culpa sua. Mas pode ser sua responsabilidade transformar.